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Fármaco utilizado para Hipertensão aumenta fluxo sanguíneo no hipocampo em pacientes com Alzheimer

Na doença de Alzheimer ocorre alterações cerebrovasculares como a presença de placas senis decorrentes do depósito de proteína beta-amiloide, anormalmente produzida, e os emaranhados neurofibrilares, frutos da hiperfosforilação da proteína tau. Além disso, ocorre redução do fluxo sanguíneo cerebral, essa alteração ocorre precocemente no desenvolvimento da doença e pode acelerar a progressão da doença. 

 

Sintomas:

 

A doença se apresenta como demência, ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), tudo isso ocorre pela morte de células cerebrais. O intuito do diagnóstico precoce é melhorar a qualidade de vida do paciente.

 

Um estudo publicado na versão on-line da revista Hypertension, demonstra o efeito da nilvadipine – usado para tratar a pressão alta cuja ação é bloquear os canais de cálcio – aumentou o fluxo sanguíneo cerebral no hipocampo em pessoas com doença de Alzheimer, sem afetar outras partes do o cérebro. Essa região é responsável pela memória e centro de aprendizagem.

 

Os pesquisadores compararam esse efeito contra um remédio placebo em pessoas com Alzheimer. Eles escolheram aleatoriamente 44 participantes para receber nilvadipina ou placebo durante seis meses. Após esse período eles mediram o fluxo sanguíneo das regiões específicas do cérebro usando ressonância magnética.

 

Os resultados mostraram que o fluxo sanguíneo para o hipocampo aumentou em 20% entre o grupo nilvadipina em comparação com o grupo placebo, sendo que o fluxo sanguíneo para outras regiões do cérebro não foi alterado em ambos os grupos. Eles observaram que a pressão arterial sistólica foi reduzida em média em 11,5 mm Hg.

 

Os participantes foram selecionados entre 2013 e 2015 como parte de um projeto de pesquisa maior que compara nilvadipina ao placebo entre mais de 500 pessoas com doença de Alzheimer leve a moderada.

 

Devemos levar em consideração um fator importante desse tratamento de hipertensão arterial, pois a diminuição do fluxo sanguíneo para o cérebro, poderia causar mais danos do que benefícios, o que não foi observado nesse estudo.

 

Outro ponto importante é que um subgrupo de pacientes com sintomas leves da doença mostrou declínio mais lento na memória.

 

Agora o objetivo do grupo é descobrir se a melhora no fluxo sanguíneo, especialmente no hipocampo, pode ser usada como um tratamento de suporte para retardar a progressão da doença de Alzheimer, especialmente em estágios iniciais da doença.

 

Fonte:

1 – Effects of Nilvadipine on Cerebral Blood Flow in Patients With Alzheimer Disease. A Randomized Trial

Daan L.K. de Jong , Rianne A.A. de Heus , Anne Rijpma , Rogier Donders , Marcel G.M. Olde Rikkert , Matthias Günther , Brian A. Lawlor , Matthias J.P. van Osch , Jurgen A.H.R. Claassen

publishedhttps://doi.org/10.1161/HYPERTENSIONAHA.119.12892. Hypertension.

23/06/2019
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