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O que é Microbiologia Forense?

A perícia microbiana é uma disciplina científica jovem que se desenvolveu nos últimos 15 anos juntamente com o desenvolvimento das tecnologias utilizadas na biologia molecular, principalmente o sequenciamento em larga escala e os avanços da bioinformática. Esses avancos permitiram a caracterização de vários microrganismos e também explicaram suas aplicações forenses, bem como sua participação na identificação humana, caracterização de fluidos corporais, estimativa de intervalo post mortem e biocrimes.

A forense microbiana é uma mistura da medicina, com saúde pública e da pesquisa básica, pois incorpora conhecimentos de todas essas áreas, mas o objetivo dessa ciência é demonstrar que a informação gerada pode responder uma investigação.
Ferramentas epidemiológicas podem ser usadas para rastrear cepas e esclarecer a cadeia de infecção, mas
os sistemas de tipagem devem ser  avaliados especialmente para fins forenses.

Forense Microbiana é uma disciplina científica dedicada a analisar evidências de um ataque bioterrorista, biocrime ou microorganismo/ liberação de toxina para fins de atribuição ou pode ser definido como a detecção e identificação das variações entre as cepas e através dos dados moleculares são identifica a origem e rota de transmissão de uma determinada amostra forense. Hoje, microbiologistas forenses estudam genes, patógenos e contágios com o intuito de manter as pessoas seguras e rastrear aqueles que causam danos.

 

Aplicações

Perfil de DNA

Essa ciência determina o caminho de um surto, a identidade de um criminoso ou a origem de uma determinada cepa utilizada como arma biológica ou contágio. Microbiologistas forenses escavam profundamente abaixo do mundo visível para encontrar marcadores biológicos escondidos no DNA de toda a matéria viva. Esses marcadores, conhecidos como “microssatélites”, identificam padrões no DNA que ajudam a determinar tudo, desde a identidade individual de uma pessoa até a ligação direta entre dois surtos aparentemente diferentes de intoxicação alimentar em diferentes partes do país.

Associada com a antropologia forense pode ser usada para ajudar a rastrear indivíduos em áreas específicas. Mapeamentos dos padrões de migração de grupos étnicos por meio da análise de DNA ajudam os cientistas forenses a identificar a origem étnica de um suspeito. O perfil de DNA também é usado para estudar gêmeos idênticos que foram expostos a diferentes patógenos, a fim de determinar como o mesmo DNA reage a diferentes contágios.

Bioterrorismo

O caso mais conhecido de bioterrorismo foram os ataques de antraz (Bacillus anthracis and Anthrax) enviados pelo correio (foto em destaque) e ocorreram logo após o atentado de 11 de setembro e trouxeram à tona o campo da microbiologia forense como uma arma contra o bioterrorismo.

Microbiologistas forenses rastrearam os exatos esporos do antraz usados ​​nos ataques, sob enorme pressão, mas ainda dentro dos limites das leis relativas à investigação criminal. Ao contrário da epidemiologia, que pode mostrar padrões amplos em surtos, a microbiologia forense deve mostrar resultados que resistem ao exame científico detalhado.

Forense Microbiana Ambiental e Arqueologia de Pandemias Passadas

Uma pesquisa realizada pelo pesquisador Antonio Fornaciari, em 2017 relaciona as disciplinas de arqueologia, biologia e medicina com o desenvolvimento da paleomicrobiologia (que é detecção de vírus, bactérias e parasitas em restos antigos). Ele correlaciona esses conhecimentos na identificação de cemitérios de catástrofes epidêmicas (tipologia de sepultamentos, estratigrafia, topografia, paleodemografia) com as questões relacionadas à amostragem de restos humanos e a utilização da análise biomolecular.

Perfil de Microbiota (futuro)

Um projeto da Universidade de Chicago realizado pelo professor Jack Gilbert, diz “Você está sangrando micróbios no espaço. ” No Projeto Home Microbiome  Gilbert tem o objetivo de mapear o caráter microbiano de nossas casas. Os primeiros resultados divulgados mostram quão rapidamente nossos micróbios colonizam os espaços ao nosso redor. Eles também mostram que esses traços podem ser usados ​​como ferramentas forenses, para mostrar se ficamos em um determinado lugar e há quanto tempo partimos.

Esses micróbios que imprimimos em nossos lares também carregam nossa identidade. A partir deste estudo e de muitos outros, parece que nós temos uma microbiota única. Deixamos uma impressão digital de microrganismos. “Quando meu dedo toca uma superfície, ela deixa uma espiral única de óleo e células, mas também uma comunidade única de micróbios”disse Gilbert.

Existem aplicações forenses óbvias. Se você criar um banco de dados de apenas um perfil microbiano por indivíduo, você deve ser capaz de limpar uma maçaneta e descobrir quais dessas pessoas tocaram nela, especula o pesquisador. Provavelmente vai demorar um pouco para essa aplicação forense se concretizar.

 

Se você tiver interesse em se aprofundar no assunto acesse os links abaixos e bons estudos.

Fontes:

1. https://www.nature.com/articles/nature11234

2. http://forensicmisafe.wixsite.com/misafe

3. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3419203/

4. http://www.scielo.br/pdf/sdeb/v39n107/0103-1104-sdeb-39-107-01138.pdf

14/05/2019

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